Livre Privação de alimentos ou liberdade de escolha?

(Mara Andréia Valverde)
Estudo realizado com 380 indivíduos adultos, em Portugal; demonstrou que pessoas que fazem dieta para perder peso apresentam alto consumo de legumes e frutas e baixo consumo de massas, açúcar e alimentos ricos em amido (MOREIRA e col. 2005).

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Estes alimentos, segundo os relatos de mulheres preocupadas com os quilinhos a mais, devem ser evitados ou eliminados completamente da dieta. Esta é uma crença errônea, pois, sabe-se que nenhum alimento apresenta, em si, a capacidade de promover aumento de peso. O acúmulo excessivo de peso se dá, em última análise, quando a ingestão de energia proveniente de qualquer fonte alimentar é maior do que o gasto de energia diária (BROBERGER 2005).
A questão é: a categorização dos alimentos em “bons” e “maus”, pode ter papel fundamental nas escolhas alimentares de quem quer perder peso e manter a Hipertensão controlada
Existe um aspecto desse tipo de controle denominado fobia ao alimento, que implica que alguns alimentos são evitados por culpa ou medo. E pasmem, este mecanismo é mais evidente entre mulheres que fazem dieta! Estas apresentam maiores níveis de medo/culpa e citam um maior número de alimentos temidos (GONZALEZ e VITOUSEK 2004).
hipertensão controladaDessa forma, alguns alimentos são apreciados, mas devem ser eliminados da dieta: “…são coisas que eu não posso mais…”.
A privação pode incluir além de alimentos também algumas situações sociais como festas, jantares. Estas pessoas, as voltas com o controle de peso, acabam por sentirem-se alienadas e afastadas de suas próprias vidas em nome da forma física (KRANTS 1979).
As crenças sobre os alimentos têm papel importante nas escolhas alimentares e na motivação para comer. Um estudo revelou maior nível de medo e aversão aos alimentos com alta densidade calórica entre mulheres que apresentavam atitudes alimentares inadequadas ligadas ao controle de peso, do que entre mulheres sem esse tipo de atitude (HARVEY e col. 2002).
Este medo pode determinar o grau de sentimento de controle sobre a própria alimentação. A frase: “…se comer, aí você já perdeu tudo…” , demonstra a falta de entendimento de que existe um continuum entre quantidades permitidas (seguras) e o consumo excessivo para todos os tipos de alimentos. Pelo contrário, parece haver a crença de que qualquer quantidade dos alimentos “que engordam” é prejudicial ao processo de controle de peso.
Assim, a influência que este tipo de crenças exerce sobre as escolhas alimentares se dá por meio das emoções geradas pelo consumo de alimentos de maneira ilícita.
Nesse sentido, emoções negativas (raiva, medo, vergonha e tristeza) e sonolência aumentam, enquanto a alegria diminui entre mulheres, quando informadas do conteúdo de gordura dos alimentos consumidos e estas alterações tendem a ser mais intensas nas mulheres obesas (MACHT e col. 2003).
Dessa forma, o treinamento para escolhas alimentares livres, porém responsáveis, é fundamental para o controle efetivo do peso corporal.
Bibliografia
Broberger C. Brain regulation of food intake and appetite: molecules and networks. J Intern Med 2005;258(4):301-27.

Gonzalez VM, Vitousek KM. Feared food in dieting and non-dieting young women: a preliminary validation of the Food Phobia Survey. Appetite 2004; 43(2):155-73. HARVEY e col. 2002

Krantz DS. (1979). A naturalistic study of social influences on meal size among moderately obese and non-obese subjects. Psychosom Med 41, 19±27.

Macht M, Gerer J, Ellgring H. Emotions in overweight and normal-weight women immediately after eating foods differing in energy. Physiol Behav 2003; 80(2-3):367-74.

Moreira P, de Almeida MD, Sampaio D. Cognitive restraint is associated with higher intake of vegetables in a sample of university students. Eat Bhav 2005, 6(3):229-3.
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Programa Hipertensão controlada Dr.Wanicleide Como controlar a pressão arterial com alimentos saudáveis e Dietas especiais. UFPA

 

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